O que é Na Tonga???

De acordo com o Novo Dicionário Banto do Brasil, de Nei Lopes, estas palavras significam o seguinte: (1) tonga (do Quicongo), “força, poder”; (2) mironga (do Quimbundo), “mistério, segredo” (Houaiss acrescenta: “feitiço”); (3) cabuletê (de origem incerta), “indivíduo desprezível, vagabundo” (também empregado para designar um pequeno tambor que vai preso em um cabo, usado na percussão brasileira).

  • “Tonga”, segundo o Dicionário Aurélio, pode ser uma palavra angolana para “terra a ser lavrada” ou “lavoura“. É, ainda samtomensismo depreciativo, a designar descendentes de lusos, ou de serviçais, nascidos nas ilhas.
  • “Mironga” é, em candomblé e na macumba, “feitiço, sortilégio, bruxedo“.
  • “Cabuleté”, no mesmo léxico, é “indivíduo reles, desprezível, vagabundo“.

A despeito do significado literal, a expressão foi escolhida pelo poeta Vinícius de Moraes pela sua sonoridade, sem valor semântico mas com alto valor sugestivo. É uma inovação linguística que se instalou na cultura popular brasileira.

NO EMBALO DO VINÍCIOS

Lançada nos anos 1970 pela dupla Toquinho e Vinícios de Moraes, foi um de seus maiores sucessos, cantada ainda pelo cantor Monsueto, sendo, durante aqueles anos, uma expressão de uso bastante popular.

“Eu caio de bossa eu sou quem eu sou
Eu saio da fossa xingando em nagô
Você que ouve e não fala / Você que olha e não vê
Eu vou lhe dar uma pala / Você vai ter que aprender
A tonga da mironga do cabuletê
A tonga da mironga do cabuletê
A tonga da mironga do cabuletê
Você que lê e não sabe / Você que reza e não crê
Você que entra e não cabe / Você vai ter que viver
Na tonga da mironga do cabuletê
Na tonga da mironga do cabuletê
Na tonga da mironga do cabuletê
Você que fuma e não traga / E que não paga pra ver
Vou lhe rogar uma praga / Eu vou é mandar você
Pra tonga da mironga do cabuletê
Pra tonga da mironga do cabuletê
Pra tonga da mironga do cabuletê”

O LADO MAQUIAVÉLICO

Vinícius, na época estáva casado com a atriz baiana Gesse Gessy, que o aproximaria do candomblé, apresentando-o à Mãe   Menininha do Gantois.  Gesse ensinou algmas palavras em yorubá e alguns xingamentos em Nagô, entre eles “tonga da mironga do cabuletê”, que sugestivamente acreditava-se que significa “o pêlo do cu da mãe”.
O mote anal e seu sentimento em relação aos homens de verde oliva da ditadura inspiram o poeta. Com Toquinho, Vinícius compõe a canção para apresentá-la no Teatro Castro Alves.
Era a oportunidade de xingar os militares sem que eles compreendessem a ofensa.
E o poeta ainda se divertia com tudo isso: “Te garanto que na Escola Superior de Guerra não tem um milico que saiba falar nagô”.

INTÃO NÉ…

Agora fica a idéia deste Blog para homenagiar a contribuição afro brasileira, na mais nova e tão velha expresão da nossa lingua boca suja brasileira, proferida diariamente por pessoas de diferentes camadas sociais, idades, sexos e etinia para dizer que algo está errado e que é preciso mudar, ou não… Mas, vai melhorá!

                                                                                                        foto Marta Victorino

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